Da feira · Indústria

A demanda existe. Falta vir ver de perto.

No estande do Grupo Alltech na Interplast 2026, Jean Cardoso, CEO do grupo, sentou com Gustavo Marcelo, gerente executivo da ABIMAQ, para uma pergunta simples e difícil: o que a indústria brasileira precisa fazer agora para, daqui a alguns anos, olhar para trás e ver que cresceu.

Por Grupo Alltech · · Interplast 2026, Expoville, Joinville (SC)

Jean Cardoso, CEO do Grupo Alltech, conversa com Gustavo Marcelo, gerente executivo da ABIMAQ, no estande do grupo na Interplast 2026.
A conversa aconteceu no estande do Grupo Alltech, durante a Interplast 2026, em Joinville.

O essencial

  • Para a ABIMAQ, o futuro da indústria brasileira está extremamente pujante e a demanda existe.
  • O diagnóstico se inverte: a mão de obra brasileira já é qualificada e opera com alta tecnologia. O que trava não é capacidade, é decisão de investir.
  • A indústria é o setor que mais emprega e o que paga os melhores salários, então investimento adiado trava a cadeia inteira.
  • O convite ao investidor que observa o Brasil de longe: venha ver a operação funcionando. Relatório não substitui visita.

A pergunta que abriu a conversa não era sobre máquina. Era sobre tempo. "O que a gente tem que fazer para, quando você olhar para trás, falar: caramba, como cresceu", provocou Jean Cardoso, CEO do Grupo Alltech. E completou querendo saber como o convidado enxerga a janela que a indústria tem agora para se preparar para o que vem.

A resposta começou pelo que estava à volta dos dois. O movimento da Interplast 2026, o número de empresas expondo e a quantidade de gente circulando entre os corredores foram o primeiro argumento. Não como impressão de quem está animado, mas como indicador: feira cheia é sinal de que existe projeto em andamento.

"O futuro da indústria está extremamente pujante. As perspectivas são muito boas, existe a demanda."

Gustavo Marcelo · Gerente executivo da ABIMAQ

O gargalo não é capacidade

O ponto que ele fez questão de sustentar é o que normalmente aparece invertido na conversa pública sobre indústria brasileira. A leitura corrente é que falta capacidade: falta gente qualificada, falta equipamento, falta tecnologia. O que ele descreveu foi o contrário.

"A mão de obra brasileira é equipada, sofisticada, com alta tecnologia."

Gustavo Marcelo · Gerente executivo da ABIMAQ

A frase inverte o diagnóstico. Se a qualificação já está instalada, o que segura o investimento não é despreparo do parque industrial brasileiro. É decisão, e decisão adiada por quem olha o país de longe.

Ele também lembrou um dado que costuma ficar de fora quando se discute o custo de investir em produção: a indústria é o setor que mais emprega e o que paga os melhores salários. Quando a decisão de investir é adiada, não é só a empresa que posterga a expansão. É a cadeia inteira que deixa de girar.

Gustavo Marcelo, gerente executivo da ABIMAQ, durante a entrevista no estande do Grupo Alltech.
Para ele, a capacidade produtiva já está instalada. O que falta é decisão de investir.

O convite: venha ver

Daí veio a parte mais direta da conversa, e a que dá título a esta matéria. O recado dele para quem ainda observa o Brasil de fora, ou de longe, é que relatório não substitui visita. Os clientes têm que vir, disse, para ver de perto o que está instalado aqui e qual é o interesse real do mercado. A feira, nesse raciocínio, não é vitrine. É a prova física de que existe demanda.

Ele puxou Santa Catarina como exemplo do que quis dizer. O estado como território onde a indústria não é um setor entre outros, mas o traço que organiza a economia local, e onde dá para ver o estado da arte funcionando em escala.

"Os clientes têm que vir para cá, para ver como é, para ver o interesse que existe neste país."

Gustavo Marcelo · Gerente executivo da ABIMAQ

Por que a ABIMAQ estava ali

A presença da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos no estande tem a ver com isso. O papel que ele descreveu é o de aproximar empresário, fabricante e empresa de tecnologia, e ajudar quem quer entrar no ecossistema a encontrar por onde. A ideia que ele repetiu foi a de sintonia: empresas que se juntam na mesma direção destravam mais rápido do que empresas que tentam sozinhas.

É também o que explica a conversa ter acontecido onde aconteceu. Um integrador de tecnologia industrial e uma associação setorial, no mesmo estande, falando de demanda e de investimento, é o retrato do arranjo que os dois estavam descrevendo.

Jean Cardoso e Gustavo Marcelo se cumprimentam ao fim da conversa, no estande do Grupo Alltech.
O fim da conversa, ainda na feira.

A conversa terminou como começou, sem promessa e sem número. Terminou com um convite para olhar. Quem quiser saber se a indústria brasileira está no momento que ele descreve, a sugestão dos dois é a mesma: venha ver a operação funcionando.

Perguntas frequentes

Qual é o momento da indústria brasileira segundo a ABIMAQ?
Gustavo Marcelo, gerente executivo da ABIMAQ, afirma que o futuro da indústria brasileira está extremamente pujante e que as perspectivas são muito boas, porque existe demanda. Ele usou o movimento da Interplast 2026 como indicador: feira cheia sinaliza projeto industrial em andamento.
Falta mão de obra qualificada na indústria brasileira?
Não, na avaliação da ABIMAQ. Para Gustavo Marcelo, a mão de obra brasileira é equipada, sofisticada e opera com alta tecnologia. Se a qualificação já está instalada, o que segura o investimento não é despreparo do parque industrial, e sim decisão adiada.
Por que a indústria é estratégica para emprego e renda no Brasil?
Porque é o setor que mais emprega e o que paga os melhores salários. Quando um investimento em produção é adiado, não é só a empresa que posterga a expansão: a cadeia inteira deixa de girar.
O que foi a Interplast 2026 e onde aconteceu?
Foi realizada de 25 a 28 de agosto de 2026 no Expoville, em Joinville, Santa Catarina. O Grupo Alltech expôs no estande C21, onde esta conversa foi gravada em 27 de agosto de 2026.
O que a ABIMAQ faz pelas empresas industriais?
Aproxima empresário, fabricante e empresa de tecnologia, e ajuda quem quer entrar no ecossistema industrial a encontrar por onde começar. A ideia central é de sintonia: empresas alinhadas na mesma direção destravam mais rápido do que empresas que tentam sozinhas.

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